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A Índia e os próximos 30 anos

Foto do escritor: Julio Vicente Costa
Julio Vicente Costa
26 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 21 de set.


GEOPOLÍTICA & SOBERANIA TECNOLÓGICA


1,4 bilhão de razões para entender a Índia agora

O país mais populoso do mundo se posiciona para dominar as tecnologias que definirão as próximas décadas e o Brasil, com a Embrapa, pode ter um papel nesse tabuleiro.


Por Juliana Benício · maio de 2025 · 8 min de leitura


Em 2023, a Índia ultrapassou a China e se tornou o país mais populoso do planeta. Mas o número 1,4 bilhão de pessoas é só a porta de entrada para entender o que está acontecendo. A verdadeira questão não é quantas pessoas existem, e sim o que esse país está construindo com elas.

A Índia de hoje não é a mesma de vinte anos atrás. Ela está investindo de forma estratégica e deliberada em áreas que, nas próximas três décadas, serão o verdadeiro campo de batalha do poder global: inteligência artificial, energia limpa, biotecnologia, espaço e principalmente, soberania alimentar.

 

1,4 bi

Habitantes maior população do mundo

3ª

Maior economia (paridade de poder de compra)

2030

Meta: líder em IA e bioeconomia

 

A pergunta certa


Quando se pensa em soberania de um país, a pergunta mais comum é sobre território ou recursos naturais. Mas a pergunta certa para o século XXI é outra: em quais tecnologias que vão dominar o mundo nos próximos 30 anos o país precisa ser soberano?

A Índia entendeu isso cedo. O governo indiano não apenas financia pesquisa ele constrói ecossistemas inteiros. O Indian Space Research Organisation (ISRO) pousa na Lua a uma fração do custo das agências ocidentais. O programa de IA nacional forma engenheiros em escala. E, mais silenciosamente, o país investe pesado em tecnologia agrícola.

 

"Não é suficiente ter o maior campo. É preciso ter a melhor semente, o melhor sistema de irrigação e a tecnologia que multiplica a colheita."


 Sobre a disputa por soberania alimentar no século XXI

 

As 5 tecnologias do próximo século


Observando os movimentos estratégicos das grandes potências, emerge um padrão claro de quais áreas definirão hegemonia nas próximas décadas:

 

01

Inteligência Artificial & Dados

Quem controla os modelos de IA controla a tomada de decisão em saúde, defesa, economia e logística.

02

Biotecnologia & Saúde

Desde vacinas até edição genética a Índia já é a "farmácia do mundo" e quer ser também o seu laboratório.

03

Energia Limpa & Armazenamento

Quem dominar baterias e energia solar/eólica em escala industrial ditará os termos do próximo capitalismo.

04

Tecnologia Espacial

Satélites = comunicação, navegação, monitoramento agrícola e militar. A corrida espacial nunca terminou.

05

Soberania Alimentar & Agtech

Com clima e biomas únicos, quem produz comida para o mundo tem poder de negociação insubstituível.

 

E o Brasil nisso tudo?


Aqui entra um ator que muitos brasileiros subestimam: a Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. O Brasil, ao contrário da maioria dos países tropicais, domina tecnologia agrícola em cerrado, um feito científico sem paralelo no mundo.

 

O cerrado brasileiro era considerado terra sem futuro para a agricultura. A Embrapa transformou esse bioma no celeiro mais produtivo dos trópicos. Isso não é sorte é soberania tecnológica aplicada.

 

● BRASIL O trunfo silencioso


A Embrapa opera há mais de 50 anos desenvolvendo tecnologias que adaptam culturas ao clima e ao solo brasileiros. O resultado: o Brasil é hoje um dos maiores exportadores mundiais de soja, milho, carne e café não por acaso, mas por investimento científico de longo prazo.

Em um mundo onde a segurança alimentar se tornará cada vez mais estratégica especialmente com o aumento populacional e as mudanças climáticas, a tecnologia da Embrapa é um ativo geopolítico da mesma ordem que petróleo ou chips semicondutores.

A pergunta que deveríamos fazer é: estamos tratando a Embrapa com o mesmo nível de estratégia que a Índia trata o seu programa espacial?

 

O que a Índia viu que nós ainda não vimos


A Índia entendeu que para um país em desenvolvimento competir no século XXI, ele não pode simplesmente copiar tecnologias do Ocidente ele precisa ser o criador de pelo menos uma tecnologia crítica. E está apostando nesse papel com consistência e visão de longo prazo.

O Brasil tem condições de fazer o mesmo. Temos biodiversidade sem igual, uma Embrapa de classe mundial, uma das maiores matrizes energéticas limpas do planeta e um dos maiores mercados consumidores em ascensão. O que às vezes falta é a clareza estratégica de tratar esses ativos como o que eles são: vantagens competitivas em um mundo que vai disputá-las.

 

O que fica desta análise


A Índia com 1,4 bilhão de pessoas não é apenas um dado demográfico é uma declaração de intenção. Um país que investe em tecnologias críticas, constrói ecossistemas de inovação e pensa em décadas, não em ciclos eleitorais. O Brasil tem ativos equivalentes ou superiores em soberania alimentar e bioeconomia. A questão é se vamos acordar para isso antes ou depois de precisarmos.

 

 
 
 

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Competitividade depende de unir técnica, comportamento e colaboração. 

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